Os 5 pilares da Retórica (corte de aula)

Victor Victorelli — Lógica 3,046 words

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Olá a todos, bem-vindos a esta aula. Nosso tema de hoje será os cinco cânones da retórica. Então, este é um tema que surge quase que imediatamente quando nós falamos da retórica clássica. É um tema que está sempre presente. Nunca houve um momento em que se falou de retórica e não se falou destes cinco cânones. Então, estamos falando de algo que está intimamente ligado, é algo que está lá desde origem e então diz respeito muito de perto ao assunto da retórica. Agora, o que pode causar certo estranhamento é o fato de nós chamarmos de cânones. Mas tudo que isso quer dizer é que são, nós poderemos dizer cinco partes, ou seja, cinco partes da técnica dentro de uma ideia de um circuito que deve ser feito para que se componha o discurso. É isso que quer dizer, tá? cinco partes sem as quais não há discurso. Então aquela velha conditinequanomo, sem essas cinco partes não se forma um discurso pura simplesmente. Então não é que assim nós podemos deixar de lado um aspecto e ainda assim haverá discurso. Não. Se nós deixarmos um desses aspectos de lado, não há discurso, porque menos ainda vai haver ponto de vista da retórica, da arte, de que nós vamos falando. Só que nem do ponto de vista assim de de uma conversação, nem desse ponto de vista se foge dessas cinco partes do discurso, porque o discurso está intimamente ligado com elas. É isso que deve ficar claro desde o começo. E aí nós vamos avançando nessas cinco partes e entendendo-as dentro do todo, tá? Porque no fundo, no fundo, a arte da retórica é essas cinco partes. Ela se desmembra nessas cinco partes. Então está tudo aqui. O resto que há na arte da retórica há muito mais coisas a serem analisadas, muitas ferramentas a se utilizarem, sim, mas está tudo aí dentro das cinco partes. Então nós podemos entender como um todo da retórica dividido em cinco partes. E cada uma dessas cinco partes tem subdivisões próprias. É isso que nós temos que entender nesse momento. Então, entender a retórica. Nós vamos retomar aqui rapidamente, portanto, a definição. Segundo aqui esta obra retórica elementar do Frei Sebastião de Santo Antônio, que ele diz assim, né, retórica elementar, segundo a doutrina de Aristóteles, Cícero e Quintiliano, certo? Então, nós vamos ver agora de novo o conceito de retórica para daí irmos às cinco partes, os cinco cânones, os cinco processos, tá, da retórica. Então agora na nas palavras do Frei Sebastião, ele diz: "Retórica no sentimento de quintilhano é uma arte ou ciência que ensina a dizer bem as coisas que se dizem. Retoren é se benedend. Retórica é ciência de dizer bem. Eu já disse que dizer aqui significa discursar, simplesmente dizer como numa conversação cotidiana. Quando falamos de arte, estamos falando de discursar, que é um termo que nós podemos empregar para esclarecer que discursar é algo mais vistoso, é algo maior do que simplesmente dizer, conversar, no sentido que nós usamos essas palavras. Cícero diz que é uma parte da ciência civil a qual se chama eloquência artificiosa. Eloquência é uma palavra que vai aparecer muito, então, a partir dos retóricos romanos. Existe uma ciência civil que é constituída de muitas e grandes coisas. Artificiosa eloquência retórica. E uma parte grande e ampla dela é a eloquência artificiosa que se chama retórica, é uma parte da ciência civil que é a ciência do bem governar. As questões que retórica trata muito propriamente são as questões civis e aí estão as questões judiciais, as questões políticas ou deliberativas e as questões do discurso de elogio, também chamado demonstrativo, o discurso que vai enaltecer as virtudes numa sociedade e vituperar, criticar, atacar os vícios para criar, certo, esse discurso moral, para que o discurso da moral alidade esteja claro na mente de todos. Então, é preciso que exista essa terceira retórica, que é a retórica que elogia a virtude e ataca o vício. Nós continuamos. Um autor moderno supondo que a eloquência é um talento de instruir, de agradar e de mover, e que se instrui com solidez das razões, que se agrada pela graça do estilo e que se move excitando os afetos e triunfando das paixões do ânimo. Supondo, enfim, tudo isso, diz que esta arte não é outra coisa mais que uma coleção de regras, as quais servem de guia a este sublime talento que a natureza costuma conceder a certas almas privilegiadas. Então, a retórica aqui é vista como um prolongamento de um talento. Ela supõe um talento, né? Os antigos não tinham essa coisa de que, ah, não, todo mundo pode aprender, todo mundo pode ser um orador, basta querer, basta se aplicar, não é bem assim. O buraco é mais embaixo, tá? Todos podem se valer da arte da retórica, podem, eles vão melhorar. vai melhorar estudar da retórica. Se tornar um orador no sentido em que um cícero dava esse termo. Aí é outra história. Por quê? Porque o orador ciceroniano é praticamente o filósofo de Platão, ou seja, aquele que deve estar à testa de uma sociedade. E se é assim, bom, é claro que são poucos os que nascem com o talento para liderar pela palavra. Aqui aparecem três coisas, são as três funções da retórica. Aqui também Cícero, muito pessoalmente vai enfatizar que as três funções da retórica são instruir, deleitar e mover. Instruir pela razão, agradar pelo estilo do orador, não só pelo estilo, ou seja, o emprego das palavras mais apropriadas, as voltas, os giros frasais, não é? Mas também pela imposição da voz, pelos gestos, pelas pausas, por tudo, não é? por tudo que compõe um discurso e mover, que é então comover, mover ver o ânimo, isto é, os sentimentos. Então tem que haver, tem que mover os sentimentos também. O bom orador também faz isso. Existe muita discussão em torno dessas coisas, mas isso vai acontecer. Isso vai ser colocado como, olha, se for feito de modo legítimo, sim, mov sentimento, sim, deleite-se. É claro que a espinha dorsal de tudo é a palavra, a verdade do que está sendo dito e o mover pela razão, pela verdade. Mas as coisas acessórias também tm seu lugar e lugar importante. Avançamos. Agora nós vamos para as partes da retórica, buscando, tá? Então vamos lá. Pelo menos assim, as três primeiras partes dizem diretamente respeito à composição. A quarta e a quinta dizem mais respeito a o próprio discurso, o próprio discursar, certo? Cinco são as partes da retórica: invenção, disposição, elocução, memória e pronunciação ou ação. Pronunciação ou ação, a mesma coisa. Então, o que acontece aqui, nós vamos ver cada uma, certo? Algumas delas são palavras que para nós ou tentos diversos hoje em dia do que tinham para o retórico ou são palavras que caíram em desuso. Eu faço menção especialmente a invenção e elocução. São duas palavras que de imediato não nos vão não nos vão dar uma ideia clara. Então, nós vamos ver aqui. Chamam-se partes porque de todas deve tratar e todas são necessárias para dizer bem e persuadito. Para se dizer bem e persuadir, é necessário achar coisas que possam ser ditas úteis e próprias para este fim. Essas mesmas coisas que se acharem, se não estiverem no seu lugar e com boa ordem, não causarão tão bom efeito. Ainda que estejam no seu lugar e bem ordenadas, se não as disserem com graça, energia e bom estilo, e com decente ornato, não poderão persuadir com tanta eficácia. Para que nada disso se perca, é preciso conservá-lo na memória e que nesta ocasião os e que esta no na ocasião o subministre com fidelidade. É preciso, enfim, que a que a pronunciação acompanhe com propriedade o que se diz e que o gesto com essência insinue assim as coisas que se dizem como os próprios afetos, certo? Então aqui ele elencou eh por via discursiva as cinco partes sem mencionar claramente os nomes, certo? Ele diz: "Para se bem dizer e persuadir é necessário achar coisas. Isso é inventile. Achar, descobrir, encontrar coisas que possam ser ditas, encontrar os argumentos que vão embasar meu lado em determinado caso concreto. Depois, estas mesmas coisas que se acharem, se não estiverem no seu lugar com boa ordem, não causarão tão bom efeito. Disposício. Disposição. Dispor é colocar numa ordem. os argumentos devem ser colocados nos seus devidos lugares. Há lugares para cada argumento ou para a própria narração. Há um lugar. Então, nós temos que narrar o que aconteceu do nosso ponto de vista, o que hoje em dia se chama de narrativa. Ah, porque estão criando uma narrativa. Sim, sempre no discurso retórico se cria uma narrativa. E aí nós usamos essa palavra hoje em dia insinuando que se distorceram os fatos. às vezes se distorcem, às vezes não. Às vezes a pessoa só está utilizando os fatos ou vendo os fatos pelo seu prisma e cabe ao adversário, a um eventual oponente contar a história de um modo diferente. Então o que eu quero dizer é que é normal isso. Mesmo dentro da retórica, mesmo na retórica antiga, se previa que cada um dos adversários numa disputa fosse contar a sua história. Claro, alguém poderia ser desonesto, naturalmente poderia ser, né? É normal isso. Isso o que eu quero dizer é que guerra de narrativa sempre existiu. É uma parte da retórica, tá? Mas enfim, disposição, colocar cada coisa no seu lugar, colocar a narração no momento apropriado, colocar um argumento que deve aparecer no início ou não usar nenhum argumento no início, apenas captar a atenção, apenas captar a benevolência do auditório. Então tem todo um arranjo e muitas vezes esse arranjo do discurso vai ter um impacto decisivo na argumentação. Ainda que estejam no seu lugar bem ordenadas, se não as disserem com graça, energia e em bom estilo e com decente ornato, não poderão persuadir com tanta eficácia. Elocução é isto. São as palavras que escolhemos para dizer as ideias que nós temos. Então, uma coisa são ideias. Várias ideias nos ocorrem. Então a gente pode dizer, tem a ideia seguinte, Marcos matou César. Muito bem, agora eu posso dizer isso de várias formas diferentes, mantendo a mesma ideia. Marcos assassinou César, assassinou Marcos César, o assassino de Marcos foi César, não é? O destruidor de César foi Marcos. Eu posso variar isso de inúmeros modos. E qual é o mais apropriado? Tá bom? Há critérios para isso. Aquele que mais deleita, aqueles que aquele que mais comoove, aquele que é o mais forte na causa que eu estou eh argumentando, porque pode não ser assassinato, pode ser uma causa mais leve. E se eu usar de muita força nas palavras numa causa que é mais leve, eu vou estar errando. Então aí existe toda uma ciência de pesar as palavras para cada caso. Eu posso ser forte em excesso, eu posso ser fraco e débil em excesso na hora de escolher as palavras, não utilizar a palavra certa, tentar fazer um circunlóquio, não falar o que eu quero falar porque eu tenho medo. Muitas coisas podem acontecer na parte chamada elocução. >> Nós estamos com uma promoção, tá, na academia de lógica. Hoje estamos abrindo uma uma promoção. Academia de lógica, Doctolibus, a versão completa da academia com acesso a todos os cursos, tá custando R$ 997 no plano anual, tá? Então é um desconto de mais de R$ 500. 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Isso é o discurso e que esta, a memória na ocasião o subministre com fidelidade. Então a memória é compus o maior discurso de todos os tempos. Eu vou persuadir o mundo de qualquer coisa, né, para todo mundo. Eu vou persuadir o mundo a se converter para a religião verdadeira. Mas aí eu esqueci o discurso. Então adiantou de nada, né? ou na hora de falar, eu falei, mas não foi daquele jeito que eu tinha criado. Aí já perdeu força, aí não funcionou tão bem e não deu certo. Mas eu tinha o melhor discurso, eu só me esqueci dele. Ah, mas então eu escrevo o discurso e leio. Olha, nem sempre isso é possível. Nem sempre isso é conveniente. Em segundo lugar, às vezes o cara lendo o seu discurso, isso vai diminuir a autoridade dele diante de um jurri. ou diante de um Senado, diante de uma casa legislativa, tá? Em qualquer ambiente, tá? Então assim, memória é uma parte integral do discursar. Não adianta eu compor, ter escrito assim e aí depois agora ten que memorizar. Memorizei, mas cheguei lá e esqueci, né? Apareci na frente do público, me deu aquele branco da ansiedade, aquele branco da angústia. Não adiantou. não adiantou nada. E por fim, é preciso que a pronunciação acompanhe com propriedade o que se diz, então gestos e coisas e tal, não ser muito atabalhoado ou ser assim, né, retraído, contando o seu caso assim, né? Eu acho que nós vamos, então é preciso um certo porte um modo de se portar. Bom, isso aí muitas vezes é mais forte do que a própria palavra. Às vezes de modo infeliz. Às vezes o cara tem uma boa voz e só a sua boa voz já convence, mas convence para o mal, mas convence para o lado errado. Então é triste isso, porque a vez o auditório escuta só a convicção com que alguém fala as coisas assim e ele diz que é assim e vai acontecer. Sigam-me. E eu sou a pessoa certa, mas ele não era a pessoa certa. Ele só tinha uma boa pronunciação, uma boa ação. As palavras dele pouco importavam, porque muitas vezes nós nos encantamos com uma um fluxo de palavras bem colocadas e nós nem nos damos ao trabalho de penetrar no sentido das palavras. Então, é preciso tomar muito cuidado também com aqueles que só têm essa parte ou que nós não nos deixemos levar só por isso. Sim, o discurso pode ser agradável do ponto de vista da ação, mas tomar cuidado com isso. Por outro lado, é preciso trabalhar isso, porque tem muita gente boa nisso aí que não quer o bem senão de si mesmo. E tem gente, muita gente boa por aí, que é ruim de pronúncia, que é ruim de gesticulação, que está sempre numa atitude é defensiva, todo recurvado, falando muito baixo, falando com uma vozinha assim de quem tem medo de se expressar ou que não tem convicção do que diz. Então isso entra muito, entra muito aí, tá? Ao mesmo tempo pode ser muito artificial também. A pessoa pode tentar ser muito mais grande, eloquente do que realmente é, muito mais grandiosa do que é e faz uns gestos assim, né? E a gente vê que ele não tá, que não é, que é uma coisa somente estudada, não há naturalidade, que também ração tem que vir de um lugar natural dentro de nós. Sim, nós precisamos estudar, sim, nós precisamos exercitar, mas tem que vir de um lugar sincero ao mesmo tempo. Então, estudo, sinceridade, espontaneidade não são necessariamente contrários, tá? Podem ser, podem ser. E justamente o que vai ditar isso é a intenção da pessoa, né? Se a intenção da pessoa consciente ou inconscientemente eh simplesmente persuadir porque por motivos egoístas, por exemplo, então ele vai estudar essa parte da ação, mas vai ficar geralmente por o olhar treinado, pro olho clínico vai ficar artificial. Então, se nós não temos ainda, não v sobre isso, mas se nós não temos ainda um certa naturalidade, um certo estudo, aliás, é melhor nós buscarmos mais a naturalidade do que o estudado. Fica aí uma pequena dica. Bom, e aí a gente continua aqui. Essas cinco partes, eu digo, são inescapáveis, né? Se nós prestarmos bem atenção, nós temos que sempre encontrar algo para dizer, sempre colocar em uma certa ordem essas palavras. Essa ordem pode ser, de novo, estudada ou simplesmente espontânea. E nós vamos sempre escolher certas palavras para expressar pensamentos. Por outro lado, nós temos que ter um repertório de palavras na memória, sempre palavras de ideias. Nós temos que nos lembrar de tudo que a gente tinha que dizer. E por fim, nós vamos ter que dizer de fato que é a própria ação, com uma certa entonação, com gestos. Nós vamos fazer algum gesto, independentemente se o gesto é simplesmente ficar assim, né, na defensiva, com a mão nos bolsos, algum gesto nós vamos fazer, não tem como fugir disso. Não fazer nenhum gesto ou tentar não fazer nenhum gesto é uma espécie de gesticulação defensiva muitas vezes. Então isso tudo que nós vimos aqui, cinco cânones fazem parte de qualquer discurso, até da conversação com o vizinho sobre o tempo, porque a gente vai olhar pro céu, a gente vai apontar, a gente vai, sei lá, passar a mão na testa, a gente vai fazer um um gesto assim ou assim ou que é absurdo, sempre vai aparecer, sempre vão aparecer essas cinco partes. E aqui nós vamos ver então a definição técnica de cada uma delas com base no Cícero. Quintilhando nesta matéria não concordo em tudo com Cícero. definições, porém

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