Azagaia - No Ano da Fome (Prod. Dj Caique) [VideoClipe] #CE4

Dj Caique600 words

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Tudo começou com pedaços de unhas que venderam

Quando descobriram que era a cura para as doenças que aprenderam

Então cortaram unhas e depois resolveram Caçar unhas nos cadáveres que se desintegram Depois alguém disse que o cabelo também

é remédio Misturado com as unhas faz o pénis ficar

um prédio Muitos ficaram carecas p’ra crescer esse

negócio Até comprava-se réguas p’ra oferecer a

cada sócio A seguir descobriram a utilidade do suor

Então alguém suava p’ra o outro ganhar melhor

Vendia-se em colherinhas esse líquido com sal

Misturado com saliva cuspida e cheirava mal Saliva, já ninguém cuspia de borla

Cada litro produzido, valia um Dólar Esse era chamado o negócio da liquidez

A saliva de cada dia era paga ao fim do mês Dizem que ninguém sabia ao certo o que era

certo Mas o negócio rendia quando a fome chegava

perto Tudo se vendia a centímetro ou a metro

Naquele ano cada vida era um objecto Tu tens a chance de ser a minoria

E conseguir mostrar que o amanhã... Que o amanhã pode ser usado por cada um de

nós Para provar que a esperança não morre Das raças misturadas surgiam novas raças

Então a fome batia a porta de novas casas Essa fome era maldita e chegava de repente

E foi aí que descobriram que se podia vender gente Às vezes por inteiro, outras vezes em bocados

Muitas vezes por dinheiro, outras vezes por um cargo

Novo de chefia numa empresa da capital E assim decepava-se outra cabeça nacional As autoridades perderam autoridade sobre esse

crime Deixou de ser crime, virou fraqueza do regime

Uns dormiam gradeados com medo de perder um braço

O mercado especulativo pagava bem por um pedaço E p’ra matar a fome há quem matava uma

pessoa Quantos perderam a vida p’ra os outros ganharem

vida boa?!... Naquele ano já nem se pensava em matar animais

As pessoas pesavam-se em Dólares ou Meticais E digo mais...surgiram os canibais

Com a fome daquele ano, filhos comeram pais Quando a barriga rói, há sempre um atalho

Toda gente já sabia o que se vendia no talho Sem trabalho, sem perspectiva de vida

No ano da fome, nenhum beco tinha saída Mata-se por comida, etodos eram comida

Todos mentiam, mas a verdade era sabida Tu tens a chance de ser a minoria

E conseguir mostrar que o amanhã... Que o amanhã pode ser usado por cada um de

nós Para provar que a esperança não morre Havia fome, mas era necessário haver lei

É que no meio dos escravos há sempre quem quer ser rei

Foi aí que se decidiu que não podiam morrer todos

Todos eram valiosos mas valiam mais os outros Então foi decretado, só se matava os diferentes

Estrangeiros, aleijados, mendigos e indigentes Raças misturadas com cores irreverentes

Os compradores analisavam os olhos e os dentes A febre era total, coitados dos albinos

Eles foram perseguidos e vendidos como caprinos Muitos clamaram a Deus pelos seus destinos

Com medo que a fome viesse buscar os seus filhos Pandemónio,

Cada Homem era um demónio Ninguém podia confiar no seu próprio neurónio Quanto mais no do vizinho,

Houve quem viveu sozinho Houve quem morreu com todos

Embriagado pelo vinho Mas depois daquele ano tudo ficou mais estranho

Todos ficaram diferentes na cor e no tamanho A mistura era completa, todos podiam ser mortos

E foi aí que todos temeramapontar os outros. Tu tens a chance de ser a minoria

E conseguir mostrar que o amanhã... Que o amanhã pode ser usado por cada um de

nós Para provar que a esperança não morre

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